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Henry Uliano Quaresma é CEO da Brasil Business Partners e membro de conselhos de empresas e entidades empresariais (Fotos: Divulgação)
O ambiente de negócios mudou de forma definitiva. Tensões geopolíticas, disputas comerciais, reorganização das cadeias produtivas e avanços tecnológicos passaram a impactar diretamente o dia a dia das empresas — inclusive aquelas que atuam localmente.
Hoje, nenhuma empresa está isolada. O preço de insumos, o acesso a mercados, a concorrência e até o comportamento do consumidor são influenciados por movimentos globais. E é nesse cenário que o Conselho de Administração ganha protagonismo.
Mais do que cumprir um papel formal de governança, o conselho precisa ajudar a empresa a interpretar o mundo e tomar decisões com base nessa leitura. É ali que se define o direcionamento estratégico, se avaliam riscos e se identificam oportunidades que muitas vezes não estão evidentes na operação.
Um fator que tem se mostrado decisivo é a formação dos conselheiros.
Empresas que contam com profissionais com visão internacional no conselho tendem a tomar decisões mais consistentes. São pessoas que entendem diferentes mercados, acompanham tendências globais e conseguem antecipar movimentos que impactam diretamente os negócios. Essa experiência amplia a capacidade da empresa de agir com estratégia — e não apenas reagir aos acontecimentos.
Essa visão também fortalece a inovação. Grande parte das transformações que estão redefinindo setores nasce em ambientes altamente competitivos e conectados globalmente. Conselheiros com essa vivência ajudam a trazer referências, adaptar modelos e acelerar a evolução da empresa.
Outro ponto central é a gestão de riscos. O mundo está mais imprevisível. Variações cambiais, mudanças regulatórias, barreiras comerciais e instabilidades políticas fazem parte do jogo. Um conselho com leitura global contribui para decisões mais seguras e estruturadas.
Mas há um aspecto que merece destaque: a importância do conselho não se limita às grandes corporações.
Cada vez mais, empresas de médio e pequeno porte precisam incorporar esse modelo de governança. Muitas dessas organizações estão em fase de crescimento, buscando novos mercados, estruturando processos ou iniciando movimentos de internacionalização. Nesse momento, contar com um conselho — ainda que consultivo — pode fazer toda a diferença.
O conselho, nesses casos, traz organização, disciplina estratégica e acesso a experiências que o empresário, muitas vezes, ainda não vivenciou. Evita erros comuns, amplia a visão de longo prazo e acelera o amadurecimento da empresa.
Não se trata de criar estruturas complexas, mas de construir um espaço qualificado de reflexão e decisão. Um conselho bem formado, mesmo que enxuto, pode gerar impactos relevantes na qualidade das escolhas e na velocidade de crescimento.
Para empresas menores, isso pode ser, inclusive, um divisor de águas. Enquanto algumas permanecem presas à operação do dia a dia, outras avançam com mais consistência justamente por contar com apoio estratégico externo.
No fim, o ponto central é claro: em um mundo mais complexo, decisões isoladas tendem a ser mais arriscadas.
Ter um Conselho de Administração — ou mesmo um conselho consultivo — com visão internacional, diversidade de experiências e foco estratégico deixou de ser um diferencial restrito às grandes empresas. Tornou-se uma necessidade para qualquer organização que queira crescer de forma sustentável.
Empresas que compreendem isso saem na frente. Não apenas por reagirem melhor aos desafios, mas por conseguirem enxergar oportunidades onde outros ainda veem incerteza.
(*) Henry Uliano Quaresma é CEO da Brasil Business Partners e membro de conselhos de empresas e entidades empresariais. Atuou como Diretor Executivo da Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (FIESC), onde participou ou coordenou mais de 90 missões empresariais internacionais em mais de 50 países, fortalecendo a inserção global da indústria.
Sua trajetória combina experiência no setor privado, no governo e no meio acadêmico, tendo atuado como professor universitário, executivo industrial e gestor público. É engenheiro, com MBA em Administração Global pela Universidade Independente de Lisboa, especialização em Marketing pela FGV e formação executiva em Estratégia e Gestão pela Wharton School (EUA) e pela INSEAD (França).
Autor de artigos e livros de referência, destaca-se a obra “O Fator China: Oportunidades e Desafios” (2024), amplamente reconhecida no meio empresarial, além dos e-books “Internacionalização Acelerada” (2025) e “Inovação na China” (2025).
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