Até bem pouco tempo era muito comum o refrão machista ?atrás de todo grande homem há uma grande mulher?. Hoje, quem se anima a repeti-lo corre o risco de ouvir uma sonora vaia ou risos de escárnio.

Até bem pouco tempo era muito comum o refrão machista ?atrás de todo grande homem há uma grande mulher?. Hoje, quem se anima a repeti-lo corre o risco de ouvir uma sonora vaia ou risos de escárnio. Mas, mesmo antes do advento do ?politicamente correto?, aquela máxima já não fazia jus à importância das mulheres na História.

Em pleno século XV a.C., após a morte de seu pai, o faraó Tutmés I, Hatshepsut foi a primeira faraó da história, governando o Egito por 22 anos.

Em 70 a.C., o mundo se curvava ante o poderio de Cleópatra, última rainha da dinastia de Ptolomeu, o fiel general de Alexandre, o Grande, que havia conquistado muitas terras, entre elas, o Egito. Também se curvaram ante sua beleza os romanos Júlio César e Marco Antônio.

Em 370 d.C. nascia a matemática e filósofa neoplatônica Hipatia de Alexandria, considerada uma espécie de oráculo de seu tempo.

Em 1412 nascia uma das maiores personalidades que o mundo já conheceu - Joana d?Arc, a chamada donzela de Orléans, que acabaria queimada viva em uma fogueira aos 19 anos de idade, e hoje é a santa padroeira da França.

Maria Stuart foi uma das mais famosas rainhas do século XVI. Catarina, a Grande, foi a maior imperatriz da Rússia, em meados do século XVIII.

Na área da ciência, as mulheres ganham destaque a partir do século XVIII, como a matemática Émilie du Chatelet; a astrônoma Caroline Herschel; a matemática Sophie Germain; a botânica, astrônoma, matemática e física Mary Fairfax Somerville; a matemática Ada Lovelace; culminando com a polonesa Marja Sklodowska, mais conhecida como Marie Curie, a primeira mulher a receber um Prêmio Nobel de Física, em 1906, e, feito inédito, a merecer um segundo Nobel, em 1911, desta vez em química.

Na verdade, todas essas mulheres foram vanguardeiras, verdadeiras heroínas que conseguiram se destacar apesar do meio em que viviam, absolutamente machista e refratário à sua mera inclusão, quanto mais à sua consagração.

É nesse caldo de cultura que nasce, em 30 de agosto de 1821, a nossa lagunense Ana Maria de Jesus Ribeiro, mais conhecida como Anita Garibaldi. Exímia amazona num tempo em que uma mulher cavalgar não era bem visto. Obrigada a se casar com um homem que não amava, rebelou-se contra essa imposição e entregou-se de corpo e alma ao homem de sua vida ? Giuseppe Garibaldi.

À exceção de Joana d?Arc, com quem divide o glorioso panteão, não há outra mulher cuja saga mereça tanta admiração. Conhecida como a "Heroína dos Dois Mundos", talvez só possa ser comparada a Thomas Paine, também ele um herói de dois mundos, tendo participado das mais importantes transformações que marcaram a passagem do mundo moderno ao contemporâneo. Nascido inglês, lutou pela independência norte-americana, da qual foi um dos signatários, e pela Revolução Francesa, sendo eleito para a Convenção Nacional.

O monumento em homenagem à nossa Anita, no Gianícolo, em Roma, dá bem a dimensão da admiração que os italianos lhe devotam. Com uma arma na mão direita e o filho abrigado no braço esquerdo, ela é a expressão máxima da mulher à frente de seu tempo - esposa, mãe e idealista, sem abrir mão de nenhuma das suas facetas e dedicando a cada uma delas o mesmo fervor, o mesmo ardor, a mesma paixão.

 

LUIZ HENRIQUE DA SILVEIRA

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