Marcos Antonio Zordan, diretor da Coopercentral Aurora e presidente da Organização das Cooperativas de SC (Ocesc)

Interesse pela comunidade é o sétimo e último princípio do cooperativismo internacional. Estabelecido no solo onde nasceu esse movimento mundial -Manchester, Inglaterra - durante o Congresso que festejou o centenário da Aliança Cooperativa Internacional (ACI), em 1995, essa idéia-força transcendeu ao universo cooperativista.

Hodiernamente, as empresas privadas e mesmo estatais adotaram esse princípio e, sob o rótulo  "Responsabilidade Social", criaram e implementaram campanhas destinadas a atender a comunidade regional envolvente, num misto de marketing, filantropia, ação social e cidadania solidária.

As cooperativas, na consecução de seus objetivos, direta ou indiretamente trabalham para promover o desenvolvimento sustentado da comunidade local ou regional nas quais estão inseridas. Por isso, têm compromisso com a população. A natureza de seus princípios e a solidariedade presente em sua gênese fazem da cooperativa uma eterna  protagonista de práticas  éticas e morais tão valorizadas na construção de uma sociedade mais justa e menos desequilibrada.

Interesse pela comunidade ou responsabilidade social é uma forma de conduzir a cooperativa ou a empresa de forma sintonizada com as carências e potencialidades da comunidade, não negando nem ignorando os problemas estruturais e conjunturais que a afetam. Para isso, é preciso ajustar a missão da organização de forma a não prejudicar os superiores interesses da coletividade. Assim, a Cooperativa e a empresa leiga tornam-se atores do desenvolvimento social.

A prática demonstra que perseveram nas políticas de responsabilidade social as cooperativas e empresas com reconhecida conduta ética, com genuína sensibilidade social, sincero desejo de colaborar na redução das mazelas sociais e tradição em participação comunitária. Aquelas que vislumbraram nessa prática apenas uma "jogada de marketing", geralmente desistem dessa atividade tão logo apagam-se os refletores da mídia.

Empresa que paga mal seus colaboradores, sonega impostos, agride o meio ambiente ou promove concorrência desleal não terá atração pela Responsabilidade social.  Ética e coerência, portanto, são a base da Responsabilidade Social que se expressa através dos princípios e valores adotados pela organização.

Ao contrário do que possa parecer, o interesse pela comunidade reflete-se no desempenho da organização ao focalizar a cadeia de negócios da empresa e englobar preocupações com todos seus públicos - acionistas, funcionários, prestadores de serviço, fornecedores, consumidores, comunidade, governo e meio-ambiente.

As cooperativas aplicam o "interesse pela comunidade" de forma autêntica porque esse princípio está na sua base doutrinária. Nas empresas, um programa de Responsabilidade Social concebido de forma oportunística e interesseira não traz resultados positivos sustentáveis a longo prazo.

Entretanto, cooperativas e empresas que incorporarem os princípios e os aplicarem com constância e firmeza poderão aferir seus resultados na valorização da imagem institucional e da marca, na lealdade do consumidor e dos cooperados/acionistas, no ingresso de novos talentos, na capacidade de reciclagem e adaptação e, especialmente, na sua longevidade.

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