Projeto mira os 50 anos do calçadão da Felipe Schmidt, em 2027, como marco para uma nova fase do Centro da Capital

Com circulação média de 412 mil pessoas por mês, a rua Felipe Schmidt segue como um dos principais eixos de pedestres de Florianópolis. É nesse território de alto fluxo que a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Florianópolis propõe mais um passo concreto na construção de uma nova agenda para o Centro da cidade, ao liderar uma série de oficinas e encontros estratégicos voltados à revitalização urbana das ruas Felipe Schmidt e Trajano. A proposta é desenvolver um amplo projeto de retrofit capaz de movimentar o comércio, estimular espaços de permanência, atrair novos lojistas e devolver vitalidade à região mais simbólica da Capital. 

O estudo, desenvolvido a partir de um mapeamento técnico, escuta ativa e análise de comportamento urbano, foi coordenado por Nara Schutz, especialista em placemaking, e apresentado nesta terça-feira (10) em reunião na sede da CDL. Participaram diretores da entidade, comerciantes, proprietários de imóveis e representantes do poder público.

 O projeto parte de um conceito claro: o Centro precisa voltar a ser um lugar para as pessoas. Segundo Schutz, o cenário é promissor, especialmente pelo engajamento direto de quem vive e trabalha na região. Para ela, o fato de os lojistas estarem envolvidos desde o início é um diferencial decisivo para o sucesso da iniciativa. “A alma desse projeto é transformar as ruas em ambientes mais acolhedores, funcionais e atrativos, onde o comércio conviva com o lazer, cultura, gastronomia e memória urbana, e estimule a permanência do público com qualidade. Afinal, um lugar só se torna o melhor quando é bom, antes de tudo, para quem o ocupa”, afirma Schutz.

Diagnóstico e estratégia: permanência como palavra-chave

A pesquisa identificou um público diverso e estratégico circulando pela área: estudantes, moradores do Centro e de bairros com pouco comércio local, funcionários públicos, turistas, e a predominância de mulheres e das classes B e C. O fluxo se concentra especialmente em horários de intervalo, o que evidencia um grande potencial de crescimento, desde que a região consiga reter as pessoas por mais tempo.

Para isso, o estudo aponta a necessidade de diversificar operações, qualificar o mix de lojas e serviços, ampliar a oferta gastronômica - com ao menos sete novos operadores de destaque - e atrair novos residentes, hóspedes e consumidores qualificados. Serviços, mobilidade, acessibilidade, segurança, limpeza, manutenção, bom atendimento e respeito à memória do lugar aparecem como fatores centrais para garantir recorrência e vitalidade.

 Centro como “shopping a céu aberto”

 Entre as propostas práticas discutidas estão a criação de um regramento mínimo para lojistas, inspirado no conceito de “shopping a céu aberto”, com padronização de comunicação visual, marquises e sombreamento, iluminação noturna, vitrines mais atrativas, eventos recorrentes e ampliação do horário de funcionamento, especialmente nos fins de semana.

A área prioritária de atuação contempla as duas últimas quadras da Felipe Schmidt até a Praça XV, além da Trajano nas quadras imediatamente abaixo e acima da interseção com a Felipe. Como encaminhamento, o grupo definiu foco em ações rápidas e de alto impacto, mapeamento de contratos para qualificação do mix e engajamento contínuo com o poder público.

 Construção coletiva e parceria institucional

 Para o presidente da CDL de Florianópolis, Eduardo Koerich, o projeto consolida um movimento que a entidade vem fomentando há anos. “A proposta é tratar o Centro como um organismo vivo, que precisa de gestão, regras claras e visão de longo prazo. Essa lógica de funcionamento coletivo, quase como um condomínio urbano, permite alinhar interesses, somar esforços e criar um ambiente mais competitivo, seguro e atrativo para quem empreende e para quem frequenta a região”, afirma.

 A iniciativa também conta com apoio institucional do poder público, através da Prefeitura de Florianópolis, que tem na requalificação da rua Felipe Schmidt, assim como de outras vias do Centro, uma prioridade dentro de um conjunto mais amplo de projetos de revitalização do Centro Histórico. "O foco está na caminhabilidade e na retomada da vitalidade desses espaços, para que a região volte a ser um lugar atrativo para as pessoas. Quando trazemos mais gente para a rua, fortalecemos a ocupação do espaço público, aumentamos a sensação de segurança e iniciamos um ciclo positivo de transformação. Por isso, a recuperação da Felipe Schmidt e das demais ruas centrais é fundamental para devolver vida ao Centro da cidade”, afirma a secretária municipal de Habitação e Desenvolvimento Urbano, Ivanna Tomasi.

 Para a vereadora Manu Vieira, presente na oficina, a revitalização do Centro só acontece com a união de forças entre o poder público, os comerciantes e os proprietários de imóveis. “Não se trata apenas de reformar prédios, mas de preservar histórias, incentivar o morar no Centro e criar condições econômicas viáveis para que essa transformação seja possível. O Centro de Florianópolis tem um potencial paisagístico e simbólico enorme, com vistas únicas da cidade, inclusive a partir das áreas mais altas e dos telhados, que podem e devem ser exploradas de forma criativa, fortalecendo ainda mais a relação afetiva das pessoas com esse território”, destaca Vieira.

 Um marco para 2027

 O projeto ganha ainda mais relevância diante de um marco simbólico: em 2027, o calçadão da rua Felipe Schmidt completa 50 anos. A expectativa da CDL é que a data seja celebrada com uma grande entrega urbana, reposicionando o Centro como um espaço pulsante, diverso e conectado com o futuro da cidade.

 “Mais do que uma intervenção física, a proposta representa uma nova forma de pensar o Centro de Florianópolis, construída de dentro para fora, com escuta, planejamento e ação”, finaliza Nara Schutz.

 

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