As empresas que operam no Brasil realizaram um volume inédito de envios de capital para fora do país no encerramento de 2024. A movimentação financeira foi influenciada por mudanças na legislação tributária e pelos resultados operacionais das companhias.

Dados divulgados pelo Banco Central nesta segunda-feira (26) revelam que a remessa de lucros ao exterior somou US$ 18 bilhões em dezembro. O montante é o maior valor mensal registrado na série histórica da autarquia, iniciada em 1995. O índice representa mais que o dobro dos US$ 8,8 bilhões registrados no mesmo período do ano anterior.

Impacto da nova taxação

De acordo com informações divulgadas pelo portal InfoMoney, o movimento coincide com a entrada em vigor, em janeiro deste ano, de uma retenção de 10% de Imposto de Renda na fonte sobre essas operações. A medida foi aprovada pelo Congresso Nacional no ano passado, em um pacote que também incluiu a isenção de IR para trabalhadores com renda de até R$ 5.000 mensais.

Fernando Rocha, chefe do Departamento de Estatísticas do Banco Central, avalia que o aumento expressivo pode indicar uma antecipação estratégica das empresas devido à questão tributária. Além disso, o cenário reflete a resiliência da atividade econômica brasileira, que gerou resultados positivos para as corporações ao longo do ano.

Reflexos no investimento direto

A expressiva saída de capital afetou diretamente o saldo de investimentos diretos no país (IDP). Em dezembro, o resultado ficou negativo em US$ 5,248 bilhões, uma queda acentuada em comparação à entrada líquida de US$ 160 milhões observada em dezembro de 2024. Este foi o menor valor para o mês na história dos registros do BC.

Outro dado relevante aponta que as saídas líquidas de lucros reinvestidos totalizaram US$ 11,4 bilhões no último mês do ano. Segundo o Banco Central, esse valor negativo demonstra que a distribuição de recursos aos acionistas estrangeiros superou os lucros auferidos no período.

 


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