Parlamentares do PT e do PL no estado culpam os governos de Bolsonaro e Lula, mas avaliação da Epagri é que o volume importado este ano já ocorreu em anos anteriores.

Nesta semana, o deputado estadual Fabiano da Luz (PT) subiu à tribuna da Alesc para criticar uma resolução da gestão Jair Bolsonaro (PL) que no ano passado teria liberado a importação de leite oriundo da Argentina e Uruguai na ordem de 280% a mais na comparação entre 2022 e 2023. Na semana anterior, o líder do PL no parlamento catarinense, deputado Edilson Massocco fez a mesma crítica, mas direcionada ao governo Lula, afinal a diferença ocorreu nos primeiros cinco meses deste ano. Os parlamentares estão, com razão, preocupados com os produtores de leite no estado.

Mas o engenheiro agrônomo da Epagri, Tabajara Marcondes, discorda dos dois parlamentares. Em entrevista para Adjori na semana passada, o responsável pelo boletim agropecuário do mercado do leite no estado afirma que embora os números das importações de leite de janeiro a maio de 2023 impressionem quando comparados com os do mesmo período do ano passado, em anos recentes houve importações acumuladas em cinco meses em patamares semelhantes. "Faz parte dos tratados que o país faz parte no Mercosul e o dado precisa ser olhado durante todo o ano para uma análise mais concreta", explica. 

No relatório produzido por Marcondes, consta que ainda, a quantidade de leite adquirida no 1º trimestre deste ano pelas indústrias leiteiras (5,883 bilhões de litros) decresceu 1,2% em relação a do primeiro trimestre de 2022 (5,954 bilhões de litros). Entre os cinco principais estados produtores de leite do Brasil, apenas Santa Catarina aumentou a quantidade de leite vendido, os demais tiveram queda, destaque para o maior produtor do país, que é Minas Gerais, que teve queda de 5,4% nos três primeiros meses de 2023. "Na comparação entre o ano passado e este, os produtores catarinenses vendaram mais e com um preço melhor neste início de 2023", aponta.

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