Turvense participa de aventura que percorreu mais de 10 mil quilômetros pelo país, atravessando 12 estados

Para quem pretende um dia pegar a estrada com o objetivo de realizar um sonho, talvez antigo, da juventude ainda, o Jornal do Sul de hoje publica uma matéria de um grupo de nove catarinenses e gaúchos que resolveram conhecer o Brasil, numa aventura espetacular e digna de filme.

O relato que segue é de Wagner Santos, um dos tripulantes da Kombi que cruzou o país em busca de novas experiências, novos sabores, amigos, surpresas e muita história para contar. Está pronto? Então vem com agente nesta viagem. Você está convidado.

"A ideia surgiu mais ou menos há um ano e meio atrás, com ideia inicial de fazer uma viagem grande pela América do Sul, tendo como ponto final Ushuaia, na Patagônia Argentina. Porém o período em que poderíamos realizar essa viagem seria em julho, em pleno inverno no nosso continente. Após quase meio ano de pesquisas sobre como realizar essa viagem, descobrimos que as condições meteorológicas nesse período seriam pouco favoráveis à sua realização, nesse período, com nevascas instantâneas, bloqueios de estradas e pouca luminosidade solar diária, cerca de 6h diárias.

Após algumas "reuniões" e discussões sobre qual seria o destino final, decidiu-se que seria feita pelo Brasil, já que seria nossa primeira viagem tão longa, por  tanto  tempo,  como forma  de  adquirir  experiência,  pelo nosso  país  teria  algumas  "vantagens",  como  nosso  idioma,  nossa  moeda, maior facilidade de interação. Faltando quase um ano para a partida nos reunimos para decidir qual seria nosso percurso e destinos, decidimos "subir" o Brasil pelo oeste e voltar pelo leste/litoral, sim, foi o que decidimos. Mas quais locais, quais cidades?

Faltando pouco mais de um mês pra viagem essas dúvidas continuavam. Alguns chegaram a pesquisar possíveis locais, mas como em tudo na nossa vida, nada era fixo, nenhum  destino  era  certo,  os  locais  mais "certos" que passaríamos era Foz do Iguaçu, Paraná, para ver as Cataratas do Iguaçu e na Chapada Diamantina, na Bahia.

Tá, mas quem vai viajar afinal?  Com dois meses para a partida, tínhamos apenas três confirmados, Rossano Mansan (Rossa), Vinícius Schimitt (Vinigay) e Wagner Santos (Milico/Zé). Quando faltava um mês, Caren Souza e Luiza Wottrich, as duas Pretas, namoradas de Wagnere Vinícius, decidiram ir junto. Agora éramos cinco, mas a Kombi tem espaço pra nove, se com cinco é bom, com nove é melhor ainda. Pois nesse último mês pré-viagem surgiram os outros quatro viajantes, o turvense Alan Martignago (Tapioca/Catarina) e Paulo Fernandes conheceram  o  pessoal  da  Kombi  em  duas  festas  diferentes  e  através  de conversas  decidiram  ir  junto,  Ellen  Tabarkiewicz  e  Douglas  Souza  (Dodô), viram  o  anúncio  de  vagas  sobrando,  que  havia  sido  feito  na  página  da Difériasnacombi  no  Facebook  e  também  decidiram  entrar  nessa  aventura.  O Dodô,  na  última  semana,  devido  a  problemas  financeiros  decidiu  não  ir  e  no último dia, fez as malas e foi.

A  programação  inicial  era  sair  de  03  de  julho,  sexta-feira,  então  nos reunimos em Sapucaia do Sul, residência do Vinícius, mas como tudo é uma metamorfose,  tivemos  que  fazer  algumas  manutenções  na  Kombi  ainda  no sábado  de  manhã,  troca  de  pneus,  geometria,  balanceamento  e  cambagem. Todos  tinham  algo  a  contribuir,  no  caso  do  Paulo,  ele  é  um  "Magaiver"  de Kombi, conhece muito da parte mecânica desse veículo, como na oficina onde levamos a Kombi, nos falaram que a cambagem demoraria um dia pra ser feita, o Paulo fez em meia hora no nosso QG de saída. Lá almoçamos e começamos a arrumação de toda a bagagem dentro e no rack, ficamos prontos por volta das 16h e partimos por volta de 16h30min.

Nossa  primeira  parada  foi  em  Esteio,  na  Casa  Verde, para  pegarmos alguns instrumentos musicais, sim a galera faz muito barulho, depois partimos rumo à Nova Santa Rita, casa do Milico, onde fizemos a parada do cafezão e de lá partimos para Erechim, onde moram Daniel Souza (Apê), Camila Castoldi (Cami) e Bolivar Cezar (Boli). Chegamos a  Erechim  por  volta  das  3h  da  manhã,  deixamos  a  Kombi estacionada  na  rua,  à  frente  do  prédio  onde  o  Apê  mora,  pegamos  algumas mochilas e fomos para o apartamento, onde comemos e dormimos. Ao acordar no outro dia, o Tapioca desce até a Kombi e notou que a ventarola do carona estava aberta, o vidro da porta meio aberto e a caixinha do seu óculos havia sumido.  Voltou ao apartamento,  comunicou  a  galera,  que  já  estava  se arrumando  para  sair,  e  todos  desceram  para  a  Kombi, então  notaram  que alguns outros pertences haviam sumido/roubados. O  primeiro  sentimento  geral  foi  de  frustração,  mas  depois  de aprendizado com essa situação, então se decidiu que a Kombi não seria mais deixada  sozinha,  alguém  sempre  dormiria  dentro  dela. 

Passado  isso,  fomos para uma cachoeira onde ficamos o resto do dia, fizemos comida, curtimos a natureza, a beleza do lugar e fizemos muito barulho/música. Pouco antes de anoitecer nos despedimos do Apê, Cami e Boli, e partimos rumo as Cataratas. Dirigimos  o  que  deu,  mas  resolvemos  parar  em  São  Lourenço  do Oeste/SC, bem na divisa com o estado do Paraná, para dormir. Lá dormimos alguns  dentro  da  Kombi  e  outros  na  barraca.  Queríamos  acordar  cedo  para continuar  a  viagem,  então  o  Rossa  pôs  o  celular  para  despertar,  mas  ficava apertando soneca, é Rossa, NÃO ADIANTA, tem que levantar. Partimos então por Francisco Beltrão/PR em busca de alguns amigos  que lá temos, mas eles estavam servindo à babilônia e não pudemos nos ver. Decidimos então fazer um café/piquenique no parque de exposições da cidade, montamos até o slack line, tomamos banho quentinho.

O  tempo  até  então  era  bom,  seco  e  frio,  então  tomávamos  bastante chimarrão, chegava a ser engraçado quando parávamos na beira da estrada, os homens indo pro barranco e as mulheres pro mato, com os caminhoneiros buzinando.  Mas chegamos  a  Foz  do  Iguaçu  na  noite,  estava  frio  e  nós  com fome, acampamos  no  terreno  "baldio"  de  um  posto  de  gasolina  24hs,  rolou fogueira, comida e, pra variar, muita música. E da lá a viagem seguiu.

Turvo no caminho

Turvo é a cidade onde o Tapioca mora, eles que nos levou para aquele lugar, pois dizia ser muito legal. Do lado do Pub tinha um rio com um cachoerinha (Rio do Salto), e pensamos que era essa a cachoeira que ele tanto falava. Quando acordamos no outro dia,  começamos  a  explorar  o  local  e  descobrimos  que  havia  outra, bem maior, rio abaixo. Água bastante gelada, afinal estamos na região Sul em pleno inverno. Exploramos e nos encantamos com o lugar. Mais  tarde  os  amigos  do  Tapioca  começaram  a  chegar, ai  começou  a festa, churrasco e afins. Fizemos um luau a noite,  para coroar o fim simbólico da  viagem.  Foi uma  noite  mágica,  onde  descobrimos  que,  alguns  antes desconhecidos e outros já amigos, não eram mais isso, já éramos irmãos, já nos entendíamos sem precisar falar tanto, puro sentimento verdadeiro.

Talvez naquela noite que a ficha possa ter começado a cair. Lá descobrimos a magia do lugar, pontos de energia e avenidas do point do Rock n' Roll. Mas, infelizmente a Babilônia  nos  chamava,  fomos  obrigados  a  ainda segui-la.  Saímos de  lá  e  demos  uma  passada  em  Timbé do  Sul,  onde conhecemos o Bar e Mini Museu do Alemão, lugar cheio de relíquias históricas e  cachaça  de  laranja  muito  boa.  Na volta, nos despedimos do  Tapioca,  que ficou no Pub.

Final da viagem

Dirigimos até Maquiné, onde tivemos uma gorda recepção na casa dos pais do Rossano. Nos despedimos dele, que ficou por lá, e rumamos a Nova Santa  Rita,  onde  ficaram  o  Zé  e  a  Nega,  a  viagem  continuou  até Sapucaia do Sul, local de início, onde ficaram Vinigay e Luiza, a Kombi ainda foi para Esteio, onde o Douglas a guardou em sua vaga e encerrou a viagem. Foram mais de 10.700 km rodados, 12 estados, 9 capitais, Distrito Federal e Brasília. Muitas histórias para contar, muitas experiências para guardar, muito aprendizado para a vida. Muito amor para doar. Que essa seja apenas a primeira de todas as outras."

No relato aqui impresso, por falta de espaço que uma viagem como essa requer para ser contada, faltaram muitas aventuras que a turma viveu no meio do caminho. Todas elas serão publicadas em uma história que já começou a ser escrita.

Siga-nos no Google notícias

Google News