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Esgoto a céu aberto na Rua Walmor Leite, na Vila Zugman (Fotos: Divulgação/Correio do Norte)
Enquanto parte da cidade está em obras, há moradores que sofrem com esgoto correndo em frente de casa
Texto: Jornal Correio do Norte/Canoinhas
Parte de Canoinhas está em obras, uma obra necessária e que gera polêmica: a de saneamento básico. Com a conclusão da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) e do Sistema de Esgotamento Sanitário de Canoinhas, serão beneficiados diretamente 8.978 habitantes. A rede coletora está sendo assentada em 56 ruas, numa extensão de 47 mil metros. Após a conclusão, Canoinhas passará a contar com cobertura de 17% de sua população urbana com esgoto tratado.
Apesar dos avanços no município, que em outros tempos sequer pensou em saneamento, o problema nesta área é grave e está longe de ser solucionado. Em diversas casas o esgoto corre livre por valas abertas - basta percorrer outros tantos locais que não serão beneficiados com as obras da Itajuí para identificar o descaso. A viúva Tereza Carvalho, 57 anos, lamenta o que acontece em sua residência. Ela tem fossa, mas com a chuva o conteúdo transborda e vai parar em frente à sua residência, na Rua Rafael Boeing, no bairro Industrial 1. Um cano foi instalado em frente de casa para escoar a água do esgoto. "A gente que tem criança em casa se preocupa com as doenças e até mesmo com a dengue", lastima. No mesmo bairro, Deucélia Gomes de Lima, 32 anos, questiona os investimentos: "Deixaram as pessoas de classe mais baixa de fora. Nos excluíram". O CN percorreu alguns bairros do município e encontrou esgoto a céu aberto também no Loteamento Santa Cruz, Campo D'Água Verde, Vila Zugman e no bairro Piedade.
Percebe-se, no entanto, que o problema vai além da mera escolha dos locais onde a rede coletora de esgoto passará. Na Rua Reinoldo Hubner, por exemplo, no bairro Piedade, há descaso dos próprios moradores. Há casas em que a água de esgoto e a água de pias e tanques de lavar roupa é despejada aleatoriamente na rua. Soltar água de esgoto em via pública é infração passível de multa ou prestação de serviço comunitário.
Vila Zugman
Marco Antonio Pacheco sente desgosto toda vez que chega a casa. Enganado em uma transação que lhe custou R$ 10 mil, comprou de um negociante particular o terreno que, de fato, pertence ao Município, na região conhecida como Serrajão, na baixada da antiga Vila Zugman. Além de descobrir que a pessoa de quem comprou o terreno não tinha a propriedade sobre a gleba, teve a desagradável surpresa de saber que boa parte do esgoto que desce das casas da Vila sem fossa e sumidouro vai parar na porta de sua casa. "Quando chove a água do esgoto entra na minha casa", desabafa ofegante. Ele diz que desde que se mudou, tem sofrido com problemas respiratórios, para ele, decorrentes da água suja que passa feito um córrego bem na frente de sua casa. Seu maior temor é que a situação afete seu filho, de dois meses de idade.
Depois de peregrinar entre a prefeitura e a Secretaria de Obras, o responsável pela Defesa Civil de Canoinhas, Nelson dos Reis, se compadeceu de sua situação e enviou dez tubos para tentar resolver a solução. Os tubos estão há meses estocados na frente de sua casa. "Já falei para o Bene que vou largar esses tubos na porta da prefeitura se eles não tomarem uma providência", afirma. Como resposta, o secretário de Obras, Bene Carvalho, promete uma solução para o problema que até hoje não veio.
Pertinho dali, na Rua Gustavo Brandes, no Jardim Esperança, a água suja de esgoto abriu um pequeno rio na frente da casa de uma família. Maria Rocha já reclamou inúmeras vezes na prefeitura. Promessas de melhorias vieram, mas nada foi feito. "Meu medo maior é que uma criança caia ali", afirma.
Questionado sobre os dois casos, Bene reafirmou o compromisso de resolver as questões nos próximos dias.
Providências
O fiscal da Vigilância Sanitária de Canoinhas, Luis Chagas, explica que pessoas que se incomodam com vizinhos que soltam esgoto na rua devem procurem o órgão, que funciona na prefeitura, e formalizarem a reclamação, inclusive assinando o protocolo como denunciantes. Em seguida, os fiscais vão até a casa do denunciado e orientam sobre os procedimentos corretos de destinação do esgoto, que seria a abertura de fossa e sumidouro. Se a pessoa não cumprir a orientação em um prazo estipulado que não passa dos 30 dias, o caso é encaminhado ao Ministério Público, que pode chamar a pessoa para um acordo ou denunciá-la à Justiça. O custo de uma fossa, nesse caso, evolui para gastos com advogados e demais custas judiciais.
Chagas diz que os fiscais da Vigilância têm sido muito mal tratados por denunciados e que a situação tende a se resolver quando chega ao Ministério Público. Ele afirma que a Vigilância orienta, mas não há lei municipal que permita o órgão multar quem não tem fossa e sumidouro. Falando especificamente no caso da Vila Zugman, ele afirma que se denunciar todos, cria-se uma revolta popular.
Apesar de os casos se resolverem, a maioria, no Ministério Público, poucas denúncias avançam, porque para que exista um processo judicial é preciso que o denunciante se apresente, o que poucos aceitam. A maioria quer denunciar de forma anônima, o que a Vigilância não aceita.
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