Por Cósme Polêse Administrador, economista e contador
Me recordo do dia que chegamos a Lisboa para acompanhar a agenda ordinária da International Gas Union em 2016. Fomos recebidos de forma singular pela equipe do Grupo Dourogás, que participava ativamente dos comitês de trabalho da IGU e representavam importante parcela do mercado português de gás natural.
Além de articular as atividades do setor como ponte para as novas formas de energia, buscávamos ter uma vivência prática a partir da realidade do Terminal de GNL do Porto de Sines. Conhecer o papel do terminal no atendimento da região Norte daquele país e suas localidades distantes e desiguais do centro urbano de Porto, segundo principal núcleo daquele país depois da capital.
Foram em freguesias portuguesas de baixo consumo e com caráter iminentemente rural que trouxemos a inspiração das redes isoladas e locais de distribuição de gás natural, referência para um pretenso processo de desconcentração da oferta do litoral catarinense. Um parênteses, a força do Atlântico em Portugal, trilho do GNL, promove o atendimento de espaços ermos.
O modelo virou projeto piloto em Lages, atendendo hoje indústrias, comércios e o mercado automotivo. E em breve, quem sabe, ajudará a aquecer residências quando as baixas temperaturas retornarem. Antecipamos uma oferta que, com a rede principal atenderia a cidade, quem sabe, apenas cinco anos mais tarde.
O modelo de Lages se mostrou exitoso como uma referência para a interiorização do insumo. Esse modelo fez nascer um novo embrião que levará gás natural por uma nova rede local que vai abastecer as cidades de Canoinhas e Três Barras, no planalto norte catarinense.
Fico feliz em constatar que a equipe técnica da SCGÁS deu sequência nesta ideia de interiorização que construímos a partir da realidade portuguesa. E mais contente ainda que a ARESC emitiu avanços nas suas resoluções para que o Planalto Norte tivesse ampliado seu abastecimento, dando conta de uma demanda importante do ramo papeleiro.
O gás natural avança pelo interior catarinense com boas ideias e referências e com o esforço que o serviço público concedido deve promover.
Cósme Polêse
Administrador, economista e contador
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